por uma questão sócio-ambiental
Estamos em Ipatinga-MG, cidade cálida, industrial e escolhida para fazer parte do rol de centros urbanos brasileiros integrantes da política de substituição de importações, adotada pelo governo nacional no período pós-guerra. Substituímos as importações de alguns bens e maquinários e recebemos toda sorte de indústrias pesadas, com suas prodigiosas formas de poluição. Pagamos toda essa “conta ambiental” com nossos recursos naturais (água, ar, solo e vegetação) e, hoje, nos encontramos no dilema: desenvolver a economia e, ao mesmo tempo, preservar/prolongar os recursos da natureza.
Num contexto global, vivemos na era da mercantilização das coisas. Quase tudo se transforma em mercadoria e a luta pela preservação ambiental toma ares de econegócios. As exaustivas disputas entre as empresas pelas tais ISO e outros atestados de qualidade e respeito ao meio ambiente nos dá uma falsa impressão de que o espírito da modernidade caminha para uma consciência global. Ledo engano! Criticamos o modelo atual de gestão e apropriação do espaço que criam desigualdades, exclusão e destruição ambiental, mas encontramo-nos abertos às alternativas concretas, necessárias e desejáveis.
A sustentabilidade é um conceito muito abrangente e, jamais, deveria limitar-se à relação economia/natureza. Toda essa problemática passa por uma questão social e cultural muito importante: o consumo. O calcanhar de Aquiles desse modelo de consumo é o fato que três-quintos da humanidade encontra-se excluído ou parcialmente excluído dele (o que pode ser aplicado à nossa cidade). Portanto, vislumbra-se uma sociedade sustentável que não se preocupa com o imperativo da dignidade e da felicidade coletiva. Nosso atual sistema sobrevive com medidas compensatórias de governos e empresas e a mercê dos fluxos do mercado. Com isso, a questão ambiental não emerge a outras entidades e classes sociais.
Diante disso, acreditamos em quatro aspectos básicos:
1. O enfretamento das questões ambientais é indissociável da construção da justiça social. Atores coletivos e sociais como ONG’s, sindicatos e movimentos sociais devem participar na construção de idéias sustentáveis e justas.
2. A construção de alternativas práticas de preservação e mitigação do meio ambiente devem ser construídas de forma coletiva e democrática.
3. Uma pequena ação de preservação/mitigação ambiental é apenas auxiliar e local. Os problemas são resolvidos lentamente de dentro pra fora.
4. A sociedade precisa de mudanças profundas de hábitos e práticas para que se construa uma sociedade sustentável. Mas para isso é necessário que assumamos uma postura de educador para aprofundar o debate sobre o tema.
Acreditamos em projetos humanos economicamente viáveis, ecologicamente corretos, socialmente justos e culturalmente aceitos Esse é o sonho daqueles que aspiram a justiça, o respeito à natureza e a igualdade entre os homens e que ainda não foram entorpecidos pelo perfume da indiferença. O mundo é uma possibilidade!
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O IMPÉRIO DO CONSUMO
Eduardo Galeano
Tradução: Verso Tradutores
Mas, diria a direita, "de onde tiram tanta idéia contrária ao desenvolvimento do capital"? A resposta fica a cargo do estudo da história capitalista, e não somente de sua história como desenvolvimento, mas sim de seus impactos sociais nas conjunturas diversas ao qual se transformou. Tendo em vista a criação das classes, podemos perceber o acirramento da dita 'questão social"* cujas formas de enfrentamento sempre foram a benesse, os métodos caritativos, assistenciais, afinal, proletário em condições extremamente precárias não produziria de maneira adequada! Passando por todas as revoluções capitalistas até deparar-mo-nos com a terceira revolução, a tecnológica, temos a tomada das máquinas em detrimento e sucateamento da esfera empregatícia, já não mais consolidada como órgão progenitor de condições humanas de subsistência. A marcha do capital produz, a cada dia, aliado aos aparelhos ideológicos midiáticos*, a moda das estações, o tênis que o adolescente posteriormente furtará, o carro do ano que levará a criança arrastada, as marcas/logos*, que hoje determinam o caráter humano, suas atitudes perante a sociedade, o sentimento de conforto, de superioridade...O poder de comprar, o magnetismo que impulsiona cada vez mais a sociedade de base ao abismo do consumo exacerbado e inútil, ou mesmo que útil, como em Marx*, "o efeito útil do valor de uso na produção de mercadorias", prevalece como máxima de um bom cidadão. Favorece-se e criam parâmetros de favorecimento para aqueles que, mesmo estando inseridos na classe proletária (entendida neste contexto não como somente à que vende sua força de trabalho, mas a que recebe o mínimo pela venda)*, tenham condições econômicas de manter sua tara consumista impostada pela mídia, que debilmente mantém em seu "cast" diário os espetáculos propagandícios viciosos*. Shopping's centers como abadias do "fashion", mosteiros da sedução monetária, terreiros do deus Mamom bíblico*, onde a cada passo dado novas portas se abrem, novos ambientes se constituem ao seu redor, de beleza evoluída, de carisma superior, escondendo as manchas deixadas pelos faxineiros que não devem aparecer em determinados horários (vide Shopping do Vale), dos vendedores (já não mais vendedores mas "consultores de moda") que ao venderem sua mão-de-obra barata para exploração por intermédio de mais-valia, ainda levantam seus narizes ao ar por sentirem-se em status elevado antagonicamente ao vendedor de um estabelecimento non griffe. É ridículo se analisado enquanto condição, mas é uma verdadeira nova face da tendência do capital, excluir pelo simples fator status.
Nas periferias, do chão de terra batida agora temos o asfalto sujo. Das casas de madeira, não como as belas mansões que se vê no Morumbi ou nos filmes hollywoodianos, temos os barracos de tijolos. Do garoto que sonha em se tornar jogador de futebol teremos um futuro incerto, pautado na violência, afirmado pela ausência de um Estado, consolidado pela instância habitacional que paulatinamente o conduzirá a prática criminal. Mas que Estado foi este citado? Qual Estado? Será que o Estado alguma vez funcionou? Que será o Estado se não instância econômica sob a vigência de manter uma prévio-idealizada* ordem social? Necessitamos realmente de um Estado? Ao que tudo indica, e isto posto historicamente para melhor fundamentar a afirmação, ao Estado sempre foi encarregado o status de mantenedor da burguesia, aos detentores de um poder que não o fictício como o do Estado moderno, mas um real, o financeiro. Com as primeiras explorações do homem pelo homem, nota-se a necessidade de construção de organismos que repreendessem toda e qualquer manifestação contrária ao regime escravocrata imposto: os exércitos. Como para garantir o acúmulo de riquezas era necessário dicotomicamente o acúmulo de escravos, se estabeleceria uma total desordem em caso de revolta escrava, pois os mesmos se mantinham em maior número e ainda em ascendência, e por mais que os senhores de escravos mantivessem seus exércitos, uns poucos homens não dariam conta de garantir a segurança de seus patrões. Tendo esta problemática em mente, os senhores escravocratas resolvem se unir e contribuir anualmente para a manutenção de exércitos mais fortes. Para garantir a correta relação de valores anuais referentes a contribuições (denominadas de impostos) assim como a coleta dos valores e a administração dos exércitos, foram contratados indivíduos que receberiam o nome de funcionários públicos. Para que não houvesse uma revolta escrava, criaram-se através dos funcionários públicos e dos senhores de escravos as leis. Como organismos não isolados de repressão aos que infringissem as leis, foram criados a polícia, as prisões, os torturadores, os advogados, os carcereiros, os juízes, a constituição. Nas palavras de Sérgio Lessa: "Para reprimir a luta dos escravos contra a exploração que sofriam, os senhores de escravos criaram o exército, o funcionalismo público e o Direito. O conjunto formado por estes instrumentos especiais de repressão dos explorados é o Estado." (LESSA, Sérgio. Uma introdução à Filosofia Marxista: György Lukács (mimeo).s/d.). E nas palavras de Lukács, entendendo portanto o Estado como sendo "um comitê executivo da classe dominante para a defesa dos seus interesses históricos contra a revolta dos explorados.".

Atualmente, iniciamos o século XXI com a consolidação global do sistema capitalista, a interdependência planetária das economias, a massificação da cultura do consumo, o domínio dos monopólios empresariais em detrimento dos governos e suas leis e da desenfreada degradação dos recursos naturais do planeta. Ou seja, a irracionalidade das sociedades humanas está em voga novamente. Essa irracional e predatória forma de produção capitalista degrada de maneira tão rápida que o discurso do "desenvolvimento que atenda as necessidades do presente sem comprometer a capacidade das futuras gerações de atender as suas próprias necessidades" passa a ser uma tarefa para o presente. As conseqüências que temíamos para nossos filhos já são atuais. Mas como podemos identificar os elementos causadores do aquecimento global para planejarmos ações preventivas? Eis a questão pertinente que martela nossas cabeças.
A maior parte dos cientistas acredita que as causas são humanas. Os poluentes humanos despejados na atmosfera causam o aumento do efeito estufa. A superfície terrestre funciona como espelho (albedo), ou seja, toda radiação recebida do Sol é devolvida, em parte, para a atmosfera. Os gases responsáveis pelo efeito estufa (vapor de água, dióxido de carbono, ozônio, CFC’s) realizam a mesma função, mas no sentido contrário, ou seja, eles absorvem parte da radiação infravermelha, emitida pela superfície terrestre, e devolvem outra grande parte para a mesma. O grande problema é que a superfície terrestre recebe, da reflexão dos gases poluentes, quase o dobro da energia recebida diretamente da radiação solar. Com isso, a superfície fica superaquecida e não há dissipação de calor suficiente para manter a temperatura num bom nível. É claro que a superfície terrestre precisa dessa devolução de energia para manter a vida no planeta, mas, o problema é que os poluentes atmosféricos aumentam esse efeito de radiação, podendo ser os responsáveis pelo aumento da temperatura média da superfície do planeta. Um pequeno grupo de cientistas, conhecidos como "céticos", não descartam as causas da emissão de gases poluentes que provocam o efeito estufa, mas acreditam que "forças naturais" (astronômicas) e ainda desconhecidas pela comunidade científica são muito mais influentes e explicam a atual desordem no clima planetário.
Se analisarmos do ponto de vista da paleoclimatologia (estudo dos climas pretéritos), o planeta já passou por períodos de aquecimentos e resfriamentos extremos, durante a sua existência. A dualidade causal (homem X natureza) encontra-se no cerne da discussão. Como diria o geógrafo Milton Santos, nós estamos num período de aceleração da história, de mudanças rápidas e profundas. De mudanças na forma de pensar, agir e interagir. O avanço das técnicas altera as formas de percepção do mundo e, conseqüentemente, as relações de interdependência homem-meio. Estaremos então entrando num período natural de aquecimento do planeta? Ou as ações humanas têm contribuído para a aceleração das alterações bruscas de temperatura global? Como frear a dissipação da paisagem urbano-industrial e da paisagem agrícola mecanizada em nosso planeta? Podemos recorrer a "hipótese de Gaia" para tentar dar resposta a alguns questionamentos.
A teoria de Gaia sustenta a tese de que o planeta é um ser vivo. Para os defensores dessa teoria, é a vida da Terra que cria as condições para a sua própria sobrevivência, e não o contrário, como as teorias tradicionais sugerem. O cantor Raul Seixas conseguiu ilustrar muito bem esse pensamento num trecho da música "As Aventuras De Raul Seixas na Cidade de Thor". Observe:
"Buliram muito com o planeta
E o planeta como um cachorro eu vejo
Se ele já não agüenta mais as pulgas
Se livra delas num sacolejo"
O cachorro é o planeta Terra e as pulgas são os seres humanos. Pulgas, assim como os homens, são parasitas externos que se alimentam de outros seres vivos. Como se não bastasse as doenças transmitidas pelas pulgas, a sua presença causa grande incômodo sobre a pele dos animais, podendo, até mesmo, desenvolver alergias. Para além dos efeitos, faz-se interessante observar o efeito que os mesmos causam na humanidade, tanto subjetivamente (o pensamento) quanto em suas consequências (o convívio do homem com o meio socio-ambiental e com sua própria subjetividade). Diante do "livrar das pulgas", que é inevitável, como a pulga, consciente disso, comportar-se-á? O "desespero" diante de um destino absurdo (o fim) promove uma série de consequências: como por exemplo o ativismo. Agir em prol de mudanças, como fazem grupos de defesa ambiental (greenpace, earthfirst e demais subculturas que não são, necessariamente, ONG's). Isso soma-se à consciência ambiental de diversas camadas sociais. Portanto, é comum ver pessoas recriminando o ato de, por exemplo, jogar lixo no chão; Por outro lado, diante de um fim iminente (da Terra, com ou sem esse ativismo, que nada mais faz que retardar o processo naturalmente inevitável do "saculejar-se" dos homens), o ativismo, em grande ou pequena escala, em direção "n" ou "d", não provoca nenhum efeito no resultado final do processo de "saculejo", portanto, não salvará as vidas das "pulgas" que estão se mobilizando para tal (uma vez que o ativismo não é por "amor à Terra", mas para não ser "saculejado" por ela). Essa ação desesperadora se envereda pelo desespero do "fim do mundo" (entenda-se como um fim da espécie humana), perdendo todo o sentido de ser. Contudo há, ainda, a vida. E só pode se desesperar alguém que, além de vivo, preza pela vida. Dessa forma, aquele que, vivo, desespera-se ou resigna-se diante de um findar de sua existência (e espécie) não é extrínseco à existência e pode, indiferente às probabilidades de conquista, agir em função de melhorias (se não do meio socio-ecológico em que vive, se sua própria convivência com seu Eu), e isto dá-se, inevitavelmente, pelo agir (já que o conformar-se, resignado, implicaria em um tédio suicida).
"Herdamos do império português a estrutura latifundiária no campo brasileiro e dela não nos livramos. Percorremos uma história de capitanias hereditárias, sesmarias, grandes fazendas de monocultura de exportação, modernas empresas agropecuárias e entramos no século XXI completando cinco séculos de latifúndio. Mesmo que parcialmente modernizado, o latifúndio brasileiro continua sendo a grande causa estrutural da maioria dos nossos problemas sociais. É uma das causas históricas da brutal concentração de renda, da urbanização caótica e da fome que hoje estão destruindo o tecido social da nação brasileira. O latifúndio - mesmo que comprove produtividade econômica - é socialmente improdutivo. Não produz distribuição de renda: concentra. Não produz comida para a mesa do povo brasileiro: o que se acha é monocultura de exportação".
Vozes da Discórdia Distro.
Estamos distribuindo o VCD DUPLO "MUITO ALÉM DO CIDADÃO KANE", que conta a saga de dominação da Rede GLOBO de televisão e seu chefão Roberto Marinho. O vídeo foi produzido por Simon Hartog produzido em 1993 pelo canal 4 da BBC de Londres. O documentário discute o poder da rede Globo e teve sua exibição proibida no Brasil. Você vai ficar indignado com entrevistas de pessoas que trabalharam na Rede GLOBO, o processo de manipulação das Eleições de 1989 e outras atrocidades.
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mais sobre o documentário:
http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2003/08/260569.shtml